governança participativa
Salários decididos em público
Maverick — Capítulo 5 (salários)
Maverick (paráfrase de teste) · 1993 · book · fonte externa
Resumo
O texto aborda a prática inovadora da Semco, onde os próprios funcionários definem seus salários de forma coletiva. Eles apresentam suas propostas ao time, que decide em conjunto se aprova ou não. O argumento central gira em torno da ideia de que as pessoas têm uma percepção justa de seu valor quando são responsabilizadas publicamente por suas escolhas, o que pode levar a um resultado mais positivo do que se imagina. Vale a pena ler pois essa abordagem não só melhorou a percepção de meritocracia na empresa, mas também promoveu decisões mais informadas e justas entre os colaboradores, desafiando a forma tradicional de gestão de recursos humanos.
Trechos-chave
- Em algum momento dos anos 80, decidimos que o salário das pessoas na Semco passaria a ser definido pelas próprias pessoas.
- O que aconteceu de fato foi o oposto do esperado: muita gente pediu menos do que o mercado pagaria.
- Quando o salário é decidido publicamente, ninguém aceita um colega novo que não esteja claramente trazendo valor.
- A meritocracia, em vez de ser uma palavra que aparece no manual, virou uma conversa concreta toda vez que alguém entrava ou saía.
- quanto mais informação você dá às pessoas, e quanto menos você esconde, melhores são as decisões coletivas que elas tomam.
Texto integral
Em algum momento dos anos 80, decidimos que o salário das pessoas na Semco passaria a ser definido pelas próprias pessoas. Não num esquema individual de auto-promoção — isso seria circo. O processo era o seguinte: cada funcionário declarava o salário que achava justo, defendia o número em público, e o time decidia se aprovava ou não.
A pergunta que sempre me fizeram foi: 'todo mundo não vai querer ganhar o triplo?'. A resposta empírica é não. As pessoas têm uma noção razoável do próprio valor quando estão em frente aos colegas e precisam justificar. O que aconteceu de fato foi o oposto do esperado: muita gente pediu menos do que o mercado pagaria, porque sabia que o time conhecia o trabalho que estava sendo entregue.
O efeito colateral interessante foi sobre a contratação. Quando o salário é decidido publicamente, ninguém aceita um colega novo que não esteja claramente trazendo valor — porque cada novo salário sai do mesmo orçamento que está sendo discutido. A meritocracia, em vez de ser uma palavra que aparece no manual, virou uma conversa concreta toda vez que alguém entrava ou saía.
Não estou dizendo que esse modelo funciona para qualquer empresa. Estou dizendo que ele funcionou para a Semco, e que ele revela um princípio mais geral: quanto mais informação você dá às pessoas, e quanto menos você esconde, melhores são as decisões coletivas que elas tomam.